Tipologia

Ponte das Memórias

Localização: Rio Capibaribe, Recife – PE – 2023

Status: Concurso de Projetos 3º Colocado

Arquiteto(s): Alana Almeida; Anderson Mendes; Dyego Di Giandomenico; Joedy Santa Rosa; Múcio Jucá; Gabriela Cabral; Raíssa Matoso; Renato Leão.

Fotos: Renato Leão e humanização de Anderson Mendes

Sobre o projeto:

Narrativa e partido 

O rio como lugar de abrigo de memórias. A passagem do tempo produz em si, uma correnteza de lembranças que movimenta a cidade do Recife para a redescoberta do seu maior afluente: o Rio Capibaribe. A serpentina d’água, protagonista de vários encontros, corta o município do centro ao norte unindo forças, delimitando trajetórias e produzindo memórias. Além da interação das águas com a dinâmica da cidade, o rio oferece suporte à vida de diversos seres típicos da fauna e da flora do litoral nordestino. A proposta da Ponte das memórias, perpassa por um místico diálogo entre o tempo e a natureza; misturando modernidade com elementos já fincados na cultura urbana recifense – a trama composta de estrutura metálica remete ao material utilizado na histórica Ponte da Boa Vista, reconstruída no século XIX. A travessia pretende oferecer aos transeuntes um espaço de transição, entre a calmaria da lama do mangue (natureza)  e o caos da metrópole pernambucana, oferecendo espaços de contemplação, passeio e estar. 

Todo caminho leva ao Capibaribe

O significado da palavra ponte transita entre sentidos concretos e figurativos. Uma construção que materializa a união entre pontos; a linha que costura dois lugares e que conecta seres e sensações. A cidade do Recife é repleta delas. As águas que transbordam no espaço urbano, marcam fronteiras seculares entre classes sociais. A capital do Estado de Pernambuco, segundo o IBGE, possui aproximadamente uma população estimada de 1.661.017 milhões distribuídos nas mais diversas zonas da cidade. O extrato social dessa mistura, causa um abismo entre subúrbio e bairros nobres, divididos geograficamente por uma linha tênue de opressão e falta de incentivo. O bairro da Torre e das Graças, onde as pontes estão localizadas, são marcados por essa diferença econômica, com poucos espaços de conexão entre as populações. Um dos objetivos do projeto em questão, é elaborar um encontro entre as camadas sociais mesclando atividades de esporte e lazer, nas cabeceiras e durante a trajetória da ponte – tornando a conexão urbana um grande complexo público de confluência de pessoas. 

 

A estrutura como partido  

O projeto da Ponte das Memórias é dividido em dois fragmentos principais: os caminhos e os convívios. Ambas as artérias são guiadas pela composição estrutural que mistura materiais já conhecidos pela arquitetura recifense: concreto e treliças metálicas. O arranjo oferece à forma segurança, contemplação e dinamicidade, devido ao desenho diagonal cruzado dos seus pilares, referenciando a emblemática Ponte da Boa Vista, localizada na cidade. A trama também cria portais emoldurados para a paisagem durante toda a trajetória, tornando a experiência particular em cada visada. Além da dinâmica que a estrutura causa ao primeiro olhar, a linha diagonal e cruzada é representada também na composição dos mobiliários, que se assemelham às raízes dos mangues que formam o Capibaribe. O partido designado pela estrutura em linhas diagonais e entrelaçadas, representa a fusão de uma metrópole banhada pela natureza e inserida dentro de uma agitação característica de uma cidade em constante movimento. 

Diretrizes

A proposta se baseia na premissa de unir sustentabilidade, economia e congruência com a dinâmica espacial do perímetro. Sendo assim, as diretrizes principais são: Inserir o Rio Capibaribe como paisagem principal do passeio; Estimular o bem-estar e a relação pedestre-cidade com o uso de vegetação em todo percurso da ponte e nos espaços da cabeceira; Conectar às mais diversas bases econômicas da região metropolitana do Recife, projetando ambientes de lazer dentro e fora da construção; Garantir a economia sustentável na construção e manutenção da superestrutura – utilizando de treliças metálicas de fácil administração;

Diretrizes do Terreno Carrefour 

Implantar um novo parque urbano como lugar de estar e chegada para transeuntes e ciclistas da ponte; Incentivo à sustentabilidade e ecologia, com a preservação das árvores existentes no local e com o estímulo à plantação de novas espécies; Estímulo ao comércio local, devido a instalação de quiosques e pontos de serviço para os visitantes do parque;  Criar locais de lazer com a construção de mobiliários urbanos que permitam a interação dos frequentantes com o parque; Gerar novos fluxos que estimulem a mobilidade ativa; A partir das necessidades estruturais exigidas para o projeto, no que se refere ao vão livre na calha do Rio Capibaribe, a estrutura foi pensada a partir de treliças metálicas, com bases em concreto armado. A estrutura metálica no contexto do projeto, se mostra uma solução extremamente eficiente, relativamente simples e pré moldada, garantindo que a obra seja mais limpa e sustentável, minimizando desperdícios.  Em termos de economicidade, teremos uma obra mais rápida, portanto, mais econômica, pois toda a estrutura metálica é pré fabricada, restando o trabalho in loco dos apoios lindeiros às margens e das cabeceiras. A manutenção tampouco será um desafio, pois os materiais empregados na proposta são os mesmos utilizados em outras pontes da cidade, o que facilitará a gestão municipal no cuidado periódico dessas novas travessias. 

Vegetação

Sendo o mangue, um símbolo de identificação da flora recifense e da história do povo pernambucano, a intenção do projeto Ponte das Memórias é levar a natureza ao longo da travessia, utilizando de espécies vegetais já conhecidas pelos recifenses. Portanto, nos espaços de estar, propõe-se o plantio de árvores floríferas que produzam sombra; trazendo bem-estar e contemplação para os usuários. Além de estender o bioma pelos espaços do passeio, a proposta também leva em conta a recuperação das áreas de mangue que serão degradadas na construção das travessias, reforçando a importância da sustentabilidade para manutenção da vida na cidade.

PARA OS CACHEPÔS/ALEGRETES: PASSIFLORACEAE – Passiflora contracta Vitta – Maracujá – Liana

MYRTACEAE – Psidium guajava L. – Goiaba – Árvore pequeno porte

HELICONIACEAE – Heliconia psittacorum L. – Heliconia – Erva 

ANACARDIACEAE – Spondias mombin L. – Cajá – Árvore Médio porte

MALPHYGIACEAE – Byrsonima sericea DC. – Murici – Árvore médio porte

PARA AS CABECEIRAS:

SAPINDACEAE – Talisia esculenta (Cambess.) Radlk. – Pitomba – Árvore grande porte

RUBIACEAE – Genipa Americana L. – Jenipapeira – Árvore grande porte

FABACEAE – Inga ingoides (Rich.) Willd. – Ingá – Árvore grande porte

SAPINDACEAE – Allophylus edulis (A.St.-Hil.) Hier. ex Nied. – Fruta-de-pombo – Árvore grande porte

Módulos e iluminação

A iluminação das travessias tem como objetivo garantir boa visibilidade para os usuários, convidando à permanência, com iluminação suave e tonalidades mais quentes. Os pontos de luz serão todos direcionados para a própria ponte, evitando interferir na fauna e flora do local. A tecnologia LED será utilizada por ter alta eficiência energética e excelente reprodução de cores, além de elevada vida útil.  As pontes produzirão a energia necessária para a sua própria iluminação, através de aerogeradores de pequeno porte e painéis solares locados na cobertura. O mobiliário da proposta consiste em módulos de bancos e jardineiras pré moldados em concreto sustentável. O material substitui 70% da areia natural por areia de fundição aglomerada com argila e 100% da brita por escória de aciaria de alto-forno das siderúrgicas e fundições. A vantagem do processo é ambiental, pois resíduos sólidos industriais voltam para a cadeia produtiva misturados ao concreto em vez de serem descartados em aterros. 

Engenharia

Especificações
PONTE 1
Comprimento total com rampas e passeio 267 metros
Distância entre apoios centrais 48 metros
Maior largura da estrutura 16 metros
Menor largura 6 metros
PONTE 2
Comprimento total com rampas e passeio 115 metros
Distância entre apoios 60 metros
Maior largura 16 metros
Menor largura 6 metros

Descrição do Sistema Estrutural

De acordo com as características do projeto, considerando as distâncias entre os pontos de apoio e as especificações do solo,  para vencer os vãos entre as cabeceiras supracitados a presente proposta estrutural para as pontes de pedestres definiu a infraestrutura com fundação em bloco de coroamento com estacas pré moldadas em concreto armado com dimensões de profundidade entre 22 e 25 metros que servirão para estabilização do sistema construtivo. Como elemento principal da superestrutura foram definidas treliças mistas irregulares paralelas do tipo Pratt com tabuleiro inferior e viga Howe, com longarinas em perfil metálico W 410 x 60,00. Os perfis metálicos e a disposição das partes das treliças foram projetadas para equilibrar os esforços, portanto, superam as ações de tração na direção central da ponte e dispensam peças exageradamente robustas, priorizando peças pré-fabricadas construídas com eficiência, rapidez e baixo impacto ambiental. Para isso, a cada 6 metros de distância linear da ponte foram posicionados Para isso, a cada 6 metros de distância linear da ponte, foram posicionados perfis metálicos com a função de contravamento de 6 metros por 6 metros (6×6) com diagonais variadas que garantem a estabilidade do sistema. Os modelos treliçados contam com pórticos fixos soldados que conseguem absorver o peso e o impacto de lajes sem sobrecarregar a fundação, além dos contornos retangulares desta estrutura metálica que reforçam a consolidação estrutural com resistência às ações dos ventos. A concepção estrutural das pontes buscou a funcionalidade, ponderando as restrições de execução, buscando potencializar sua vida útil e reduzindo a necessidade de isolamento de tráfego e manutenções excessivas. A partir destas diretrizes foi possível a elaboração do presente sistema que apresenta elementos de alto nível dentro dos padrões internacionais de qualidade e viabilidade econômica de fabricação. 

Descrição das Lajes das Travessias
Para os acessos e coberturas foram escolhidas as lajes em concreto armado, sendo estas maciças nas cabeceiras e rampas de acesso, e alveolares a partir das longarinas das pontes. O sistema de lajes alveolares de 12 metros de comprimento comparecem apoiadas sobre a estrutura metálica proporcionando maior estabilidade às ações de torção da estrutura e agregando rapidez e sustentabilidade ao projeto através da construção via padronização de painéis pré fabricados industrialmente a somar ao transporte e armazenamento simplificados do sistema. As rampas que conferem ampla acessibilidade aos níveis da ponte através de rampas comparecem apoiadas em mísulas projetadas para qualidade de agressividade elevado de acordo com a NBR 6118, assim, equilibram a distribuição dos esforços e criam marcações sutilmente ritmadas ao longo de suas inclinações. As lajes invertem os sentidos dos fluxos na travessia das pontes atribuindo um passeio com variações de vistas e experiências instigantes e na mesma medida, apoiam a distribuição uniforme das cargas ao longo das pontes para as fundações. Para guarda corpo optou-se por material em aço galvanizado com altura de 1,10 metros executado em todo perímetro de laje e passeios.

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